Elegia à amizade

No meu peito já definha a esperança outrora acesa;
dor incrivelmente minha, de perder a grã beleza
do momento em que te vi.

Olhos fitos no absurdo, desencontro em cada gesto.
Para mim, ouvidos surdos; eu a ti virei protesto.
Sem calar-me, bem sofri.

Eu pensei estar errado nos desejos de meu ser;
e julguei-me atormentado, já me via enlouquecer:
via a mim, e não a ti.

Longe um porto (ou um farol) dispersando mil promessas
e escondendo a luz do sol, confundindo as tais regressas,
frágeis pazes que vivi.

Dor intensa, tão medonha permeava minha essência
e a ti, as enfadonhas, longas tardes da indecência
de lembrar-se só de si.

Por temer a solidão já não pude me conter,
e dizia: “Meu amigo, como eu gosto de você!”.
Sem retorno, emudeci.

Foste ingrato a quem te amou: com um golpe de um bastão
tu feriste com rancor a quem só te deu a mão!
Por teu ódio, ai de ti!

Hoje o amor apodrecendo; há um tempo, era tão pulcro.
E, distante, mesmo lendo a inscrição do teu sepulcro,

acredito que eu morri.

 

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