Cara ao cuspe

Quando a gente escolhe amar alguém até as últimas consequências, assumimos o risco de oferecer nossos dentes ao murro.

Quando gostamos de forma verdadeira, sem máscaras de proteção ou aventais de segurança, damos nossa cara ao cuspe.

Todo amor é um risco iminente de dar errado, da pessoa perfeita falhar, de uma palavra errada ferir nossas entranhas e retirar-nos o sono. Toda entrega é uma chance de cair no abismo.
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27 lições dos meus 27 anos

1. Sempre esteja de acordo com suas próprias convicções mesmo que, por vezes, você se contradiga. A contradição é o direito de quem pensa melhor.

2. Desfrute, sempre que possível, de seu anonimato.

3. Os amigos são nossa reserva de calor para os dias frios, nosso montante financeiro em tempos de crise, o colo para nossas traquinagens. Eles são tudo o que temos. Continue lendo “27 lições dos meus 27 anos”

Uma vida crepuscular

“Quem olha nos olhos de seus fantasmas nunca mais é o mesmo.”

Naquela Mauá de lembranças ternas e antiquíssimas, algo particular me ronda a mente. Nestes momentos, é incrível perceber como algo tão distante pode materializar-se em meus pensamentos: o crepúsculo. Como poderei definir a sensação mágica de uma criança ao assistir quase diariamente aos mais belos crepúsculos de sua vida?

Em minhas imaginatividades, creio que o crepúsculo é o momento onde o tempo entra em suspensão. A mágica ilumina o ambiente. Quem para para assistir pode tocar esta atmosfera etérea. Eu, particularmente, fui criado em um lugar alto. Nas palavras de Herivelto Martins, esse detalhe me deixava “mais pertinho do céu”. Nas costas da casa, o sol se punha. À frente vinha o clarão de seu nascimento. Ao ler a Odisseia de Homero, aprendi que a deusa Aurora vinha pessoalmente em sua carruagem para acordar o Sol. Sem querer, passei a desejar-me encontrar com ela, mesmo que por um segundo.

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Santo André, um tutorial

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“Alguma coisa acontece quando ando a pé / Pelas avenidas do centro de ti, Santo André”

o futuro já começou quando encontro Santo André, é incrível como minha sintonia com a cidade não se perde, aos poucos me vejo dentro de seus cruzamentos e faróis, é verdade que tudo isto tem um alto preço para o ambiente, sou fruto desta paranoia urbana, mas tudo também tem suas alegrias. o céu estava cinza e é assim que gosto de ver a minha terra da garoa particular, que é mãe da garoa de são paulo

pra quem não conhece esta é a avenida edson danillo dotto, mas qualquer andreense chama de avenida perimetral, o primeiro e eterno nome

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Um bilhete a Paranapiacaba

Uma antiga egotrip de dezembro de 2017, maturada e publicada em abril de 2018. Sempre é tempo, aliás: não seria o Tempo uma concepção relativa?

(Início da egotrip)

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Permaneço longe. Ainda em mim não se aquietam muitas vagas. O horizonte dói na vista de quem o enfrenta. Por isso aprendo a andar mais lento, lutando contra estas vagas que por vezes se apoderam de meu corpo. É dia. As poucas nuvens presentes me sorriem. É dia de andar no trem que leva a Paranapiacaba. Para onde levará, ou melhor, por que caminhos segue o trem de minhas memórias? É difícil falar quando se tem tanto a observar. Continue lendo “Um bilhete a Paranapiacaba”