Elegia à amizade

No meu peito já definha a esperança outrora acesa;
dor incrivelmente minha, de perder a grã beleza
do momento em que te vi.

Olhos fitos no absurdo, desencontro em cada gesto.
Para mim, ouvidos surdos; eu a ti virei protesto.
Sem calar-me, bem sofri.
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Sobre o ofício criativo

O trabalho não é feito só por mãos,
mas também pelo improviso do Mistério.
Um artista comunica todo o tempo:
solitário, nunca faz o seu ofício.
Quando pede ao Universo, ele o obtém,
recebendo muitas luzes lá do alto. Continue lendo “Sobre o ofício criativo”

O sagrado prazer da criatividade

Senti falta do ócio criativo nos últimos dias. Tive, portanto, que arrumar algum tempo livre para rabiscar versos e consertar palavras – longe do sudoku ou das torturas matemáticas, agrada-me a arte dos versos métricos. Adoro contar palavras e pensar se elas encaixam-se ou não em determinado ritmo. Como a arte da música também é constante em meu trabalho, a métrica é fundamental.

Falando em métrica, este poema foi escrito em versos hendecassílabos: ou seja, com onze sílabas. Os acentos tônicos localizam-se nas sílabas 3, 7 e 11.

Foi também interessante escrever sem pensar em rimas finais. Tenho treinado exercícios de concisão literária, seja na prosa ou na poesia (veja aqui uma de minhas últimas lições), e a ausência de rimas roubou-me a timidez. O importante foi a mensagem: o prazer artístico é o combustível que nos permite caminhar. Num domingo onde participei do Sarau da Casa Amarela, em São Miguel Paulista, este poema muito vem a calhar.

Sem mais conversas, segue o texto: Continue lendo “O sagrado prazer da criatividade”

Drops: Akira Yamasaki

“A sina que cumpro / […] é de guerra, não de paz” (A. Yamasaki)

Quem conhece sabe: a timidez do Akira não revela o número de suas atividades. Observador perspicaz do seu amado Itaim Paulista, também é agitador cultural, organiza e frequenta diversos saraus na cidade de São Paulo, é responsável pela revelação de diversos artistas de antigas e novas gerações, mantém um blog e escreve crônicas poéticas sobre seu entorno social, no facebook. Além de tudo isto, escreve poemas com a disciplina de um samurai. A particularíssima percepção torna seus textos legítimos haicais ampliados.

Eu mesmo tive a honra de musicar vários de seus poemas – o mais conhecido deles, Inverno, ainda me emociona -, e também o tema da peça “Oliveiras Blues”, na qual também tive o prazer de atuar, sendo dirigido por Sueli Kimura e Luka Magalhães.

De acordo com o conceito do Drops, deixarei que Akira se apresente por seus textos. Vale a pena lembrar: o contato do autor está nos nomes-links, junto a cada texto postado. Com vocês, Akira Yamasaki!

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“Tchau, gago”: o relato de um portador de gagueira

“Deus me livre de ter vergonha da minha gagueira. Mas já sofri muito por causa dela.”

Decidi escrever este texto com menos técnica e mais improviso. Não é segredo para os amigos mais íntimos que estudo a obra de Nelson Rodrigues com afinco – somente a prosa, por enquanto. Neste sentido, o blog me serve como espaço de estudo. Baseado no mestre, tenho escrito crônicas e contos que particularmente me alegraram. Mas farei questão de romper com a métrica para falar mais de mim; de um aspecto particular que toda pessoa que me conhece, sabe: a minha gagueira. Continue lendo ““Tchau, gago”: o relato de um portador de gagueira”

Ponto A (rumo ao Ponto B)

As pessoas não querem mais ficar perto umas das outras.
Mas o que afasta não é a máquina, é o descontrole do uso.

As populações dos países veem seus governos afundados em escândalos.
Mas os erros dos governantes não ficam mais nas gavetas.

As grandes corporações manipulam nossa realidade.
Mas o jornalismo independente cresce aos borbotões.

O preconceito de diversos tipos tornou-se mais escancarado.
Mas a luta contra eles está mais aberta.

Não temos futuro, nem sabemos para onde ir.
Mas os grandes passos da História sempre são incertos.

Temos medo do que vai nos acontecer no futuro.
Mas nossos pais e nossos avós também tiveram.

Hoje o conceito de “família” está desestruturado.
Mas novas formas de família o completam.

Os artistas estão perdidos ou comprados.
Mas a Arte não.

Os jovens de hoje não serão como os adultos de hoje.
Mas serão os adultos do amanhã.

Não há desculpas para o pessimismo.
Tudo depende do seu ponto de vista.

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Drops: Carlos Drummond de Andrade

“O poeta da pedra no caminho me punha pedras no sapato.”

Drummond é um dos grandes poetas brasileiros que não deixa de pôr pedras em meu sapato. Seus poemas sempre me foram pungentes. Não à toa, carrego no peito uma grande estima pelo Itabirano.

Quem sou eu para falar de Drummond? Deixarei que ele fale por si mesmo, por seus poemas. Inclusive, a ideia do Drops é não trazer dados biográficos. Traremos apenas os poetas e suas mensagens. Que as palavras de Drummond continuem reverberando em nossos corações, assim como o meu coração tremeu ao ouvi-lo ainda na minha primeira velhice.

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Puxa vida, o tempo está passando!

Encontrei, nesta manhã e por engano, um blog que escrevi no longínquo ano de 2006. O nome do tal: Abaixo os puristas!, assim mesmo, em negrito. Ainda recordo da minha sanha adolescente de tentar ser diferente do resto…

Dada tamanha nostalgia, pretendo publicar um poema dos meus quinze anos: quando saía da minha primeira velhice. Prometo que as correções feitas não tirarão a graça e a virgindade do texto original. Continue lendo “Puxa vida, o tempo está passando!”